sexta-feira, 11 de novembro de 2011

NÃO REAJA

Quando notar que será assaltado
Entregue sua carteira, sua alma
Aceite que a segurança pública não tem jeito
Mas, principalmente, NÃO REAJA!
Quando perceber os descontos em seu salário
E que paga mais caro por sua sobrevivência
Aceite que precisa trabalhar mais e fazer por merecer
Mas, principalmente, NÃO REAJA!
Quando ao invés de criar seus pensamentos e opiniões
Optar por engolir os que já estão prontos
Omita sua criatividade e consuma os modelos já dados
Reproduza!
Mas, principalmente, NÃO REAJA!
Reclame do país em que vive
Brigue com os céus pela ingrata sorte que teve
Sofra, chore e espere que Deus dará
A recompensa, a fortuna, a vida, a morte
E acostume-se, acomode-se,
Convença-se de seu azar, e se ponha a esperar
Mas lembre-se, principalmente,...

sábado, 5 de novembro de 2011


Nem todo doce preenche o vazio
Nenhuma companhia espanta a solidão
Se das certezas                que tenho na vida a morte é soberana
Também sei que nenhuma dor pode ser profana
A solidão emudece, carece, mas sempre prevalece
E só sempre se está ao habitar-se
Ao habituar-se, ilude-se com a vida
Com as aparências diante do espelho
E com as paralelas que se encontram no infinito
Mas, não se morre com, morre-se... só!

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Andarilho dos sonhos



Quem é você que habita meus sonhos sem se comprometer?
vem, re-significa e me faz viver...
ingrato habitante que me faz empolgante, vibrante
que me toma nos braços e de orfeu me faz refém

não te quero ali, te quero aqui, no sentir, no tocar
respirar, viver sem mais sonhar
andarilho que povoa outros sonhos
mas que sonha o meu sonho

Busca incessante de sentidos
Real mas virtual
Contraditório em sensações
mas também em  existência
menino que desenha
uma figura fria de intelectual

me rouba os pensamentos
cala a minha boca, com um beijo
faz meu peito acalmar
Um estranho familiar
que me faz sentir
e eu nem mesmo sei explicar
que afeta sem ao menos tocar.

terça-feira, 6 de setembro de 2011




Iludir-se
enganar-se que criara a criatura ilusória da desilusão

Decepção
decepar a alma que optou pela fantasia
quando a realidade lhe era vazia

Esvaziar-se
do hábito de amar
e manter por costume relacionamentos imune

Despertar
Abrir os olhos para suas verdades
que só têm validade no para si
sem sê-las para ti

Saltar
Projetar-se de um precipício sem volta
saborear as dores e delícias da queda
onde a única certeza é a morte

Destemer
Entregar-se intensamente aos efeitos dos afetos
sem reagir

domingo, 21 de agosto de 2011

A partida

E se foram... pelo ar e pela terra
A partida dói em quem fica, dói em quem vai
Os que vão levam as risadas, as noites na boemia
Para quem fica resta perder-se naquela bagunça
resta a desordem do armário, do quarto, da rotina...

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Haverá sempre um ponto na imensidão do universo em que nossos olhos se encontrarão, pois por uma fração de segundos (que seja!) olharão para o mesmo lugar, ao mesmo tempo. 

OBSERVAR


Hoje eu te vi...
Mas não quis ser lembrada
Camuflei-me na paisagem e passei à miragem
Notei como se comportava
Espiei seus gracejos entre alguns bocejos
Ginga de malandro, com direito a chapéu de lado!
Sorri com suas caretas e alegrei-me com suas piruetas
Fiquei ali na espreita
Imaginando como seria se estivesse em minha companhia
Ah não... Não seria!
Nem ao menos consegue ser
Fingir (de novo) aquele que me lê



segunda-feira, 18 de julho de 2011

Pneuma

Nem a melancólica canção...
Nem os soluços sôfregos da sala ao lado
Muito menos aquela paisagem de cerrado, eram capazes de tê-la revelado. Fingindo ter o coração gelado e os sentimentos de estômago embrulhado. O peito estava pra lá de carregado, já havia transbordado!


Aparentava imunidade aos efeitos da gravidade, nada lhe pesava. Paulatinamente tomava ciência de seu ser. O sopro se infiltrava e o que a espantava era esta lucidez: quase delirava. A vida suspensa a esperava, nem lá nem cá, ainda oscilava!


Fragmentos de repetidas clausuras compunham-na forma versátil de densas gravuras. Ao olhar as cicatrizes, divertia-se com aquelas travessuras. O amor lhe eram atos de bravura!


Não haveria covardia naquela intensidade em que vivia, às hipérboles das emoções traduzia em poesia. E o que acalentaria a alma senão as paixões, até as mais vazias? 
Sob pena de uma incurável pneumonia!

domingo, 10 de julho de 2011

Ouço vozes


Olha lá, ali... elas estão por todas as partes
Algumas altas outras aos berro
ouço os sussurros de meias palavras
Elas não se cansam! 


O murmurinho... tapam a boca com a mão 
e me olham
Quantos olhos a minha volta
O que vocês querem de mim?
(Um grito abafado)


Parem de falar, que não aguento mais ouvi-las
Meus ouvidos transbordam chiados 
Silêncio!


Triiiim o telefone tudo de novo
E falam e riem e choram
Ah! Junto com elas a outra que não cessa
Essa cota não acaba nunca?
Calem a boca!


Os sentimentos eclodem
a respiração ofegante e exausta
Socorro
Cecília, Adalgisa, Gilka
Elas não ocultam


Estão esvaindo-se por todo meu corpo
escorrem pelo ralo
Será que agora calo?
Aprisionarei todas no papel
Minhas vozes internas que nunca se falam

sábado, 9 de julho de 2011

Enquanto se distraía...

E das mulheres que passaram por sua vida, absorveu a poesia
Dos sonhos pouco entendia, pois os vivia
No ballet de sua coreografia ela se envolvia




Enquanto se distraía, seu mundo interior eclodiria
Envolto em toda aquela magia, criava uma teoria
Que sua poesia era tudo o que sabia
E o que mais lhe bastaria? Nem os que recitaria...
A dor era pura alegria... Melancolia
Porque em sua fantasia, o amor inventaria
Fosse Maria, fosse Joaquina isto não lhe importaria
Só o que ouvia era o que sentia
A angústia pulsaria, em qualquer outro dia
pois a vida acontecia e você? Ah você... dormia!

domingo, 3 de julho de 2011

Nada Sobre Coisa Nenhuma

O nada que tem cor de coisa nenhuma é transparente
O nada que não tem cor de nada pode ser branco
O nada tem cor de espelho, mas não é o que ele reflete
O nada não existe porque todo espaço é ocupado


Porém, do nada podem brotar várias coisas, até que vire história de Pescador

sábado, 2 de julho de 2011

BARATAS TONTAS

Antes tínhamos um ao outro
nada se interpunha
nem o mais concreto cimento
Nossa relação era leve e elástica
mas os fios sustentaram bem mais do que poderiam
e o elástico se partiu
Os pesados obstáculos nos individuaram
agora nosso olhos já não nos alcançam,
as ilusões nos embaçam a visão
Suavemente a resistência vai desistindo
pois do resto, os objetos de nossos caminhos
Tornaram-se o caminho de nossos objetivos
quais eram estes mesmo?

terça-feira, 28 de junho de 2011

Gravador de pensamentos

Elas estavam lá, absortas em suas vidas, balançavam no mesmo ritmo, como coreografias há  muito ensaiadas e as expressões...
Como eram enlatadas!
Eis que, quase por acaso, uma pequena cena lhes chama a atenção. Os que cochilavam abriam os olhos e não conseguiam mais fecha-los.
No colo de uma estranha ele estava sentado e, seriamente, contava suas histórias de pura sabedoria, no alto da espontaneidade que se tem apenas aos cinco anos.
Eu notava inerte toda aquela mobilização, enquanto a cena se desenrolava ia tecendo este texto.
Aos cinco anos todo colorido é estopim de criatividade e é possível escrever tudo!
Elas o olhavam, um sorriso sorrateiro lhes iluminavam a face, que elas não notariam. Haviam lamparinas de São João por todo vagão e aquela naturalidade fazia rir não apenas a estranha que lhe carregava.
Ouviu-se mais um apito, já era sua estação, então ele se despediu, agradeceu tanto o colo quanto os tácitos aplausos. Através dos vidros da janela, enquanto caminhava ao longo da plataforma, suas mãos acenavam para o seu público, enfim gritou: "Convida eu para empinar pipa?" Sua voz ecoou por todo trem que de um solavanco se pôs em movimento.
Outro tranco! E a pequena platéia apagou-se, o cansaço derramava-se sob suas faces absorvendo-os em seu mundo; ébrios alguns de volta à Orfeu.
Enquanto isso o fim dessa estória se entrelaçava em minhas idéias, queria escrevê-la, mas minhas mãos não acompanhariam o seu ritmo...
Por isso resolvi inventar um gravador de pensamentos!

quinta-feira, 16 de junho de 2011

Sob a luz da lua: movimento!

Ela achava que poderia tocar o mundo com as mãos. Imaginava que se pudesse haver perfeição, estava próxima de realizar seus sonhos. Então, tudo estaria tranquilo, não era mais preciso tantas questões!
Só que algo ainda lhe incomodara, suspeitou dos amores partidos, perdidos... "Quem sofre, pois, sem estar amando" (se perguntava), mas no fundo sua alma estava vazia, não havia mais com quem valsar, nem situações a devanear. A concretude do real não preenchia suas ilusões, repudiava.
Saiu de casa e não levou a bolsa, porque se esquecera, também, da roupa. Estava ali, nua frente aos seus anseios, desprotegida diante suas próprias expectativas. Sob efeito da gravidade zero: levitava; embora pudesse sentir o peso de suas escolhas que não a libertavam, mas impulsionavam.
Jamais havia experienciado mover-se sem ser com o outro e, de repente, acordava, mudava a rota e arrastava suas culpas. Pensava caminhar em linha reta, mas se viu às voltas num grande redemoinho, faltava o ar.
Em algum lugar estavam seus iguais, unidos por um laço cor de palha que não a envolvia, ficava ao lado observando-os. O sentimento de não pertencimento era o que lhe assombrava e temeu ao vê-lo. Procurou pessoas e lugares para se reconstituir, porém queria mesmo era pertencer. De tanto desejar, colocava-se do lado de fora, não entendia que era abstrato logo, acorrentava-se.
Agora sabe que pode escolher por si, então opta em mergulhar na imensidão do Universo que se liquefaz para se absorver. Será um pulo suave e sem impulso, lentamente irá submergir. Quando voltar, usará as estrelas que pescou para tecer o caminho pelo qual passará. Sem voltar ao mesmo ponto, simplesmente seguirá. Não é possível ver além da primeira curva, assim ela se intimida, mas não paralisará, pois já sabe onde quer chegar.

quarta-feira, 15 de junho de 2011

Insônia

No escuro os pensamentos ganham vida
Saem sorrateiros e desconfiados
De repente, preenchem o quarto
Tomam formas, assumem seus papéis
Depois, distorcem tudo!
Fantasiam, encenam, criam e destroem
Até que a luz do sol os devolveu ao baú
E ficam lá tilintando a esperar, esperar...
O melhor remédio contra insônia é o som do despertador!

quarta-feira, 8 de junho de 2011

Metabolismo

                                                Quais são suas aflições?
                                        
                Conte para mim os seu medos?

                                                 Empreste-me suas amarguras?
                 
                                      Irei mastigá-las, digeri-las

e soprá-las numa poesia...

domingo, 5 de junho de 2011

O Som das Cores

Isso me vem de impulso
o peito se projeta e vomito a tinta preta sobre o papel
O contraste me lebra a obra de Beardsley
Por que será, então, que Kandinski não me sai da cabeça?
À luz da lua tudo se torna mais colorido e sincero
Deve ser o som da aquarela, quando o carvão rabisca o canson
e o colorido do arco-íris rasga a cor da chuva
Nota: em tudo há uma música
No vermelho toca um solo de sax, ou será trompete?
No azul são os violinos... e o rosa? Ah! Este é do carnaval

Mas quando colocamos o preto no branco
Ouvi-se o som do piano

sábado, 4 de junho de 2011

A melodia que há em ti

Estava embriagada de sono
De repente, olhei na janela e vi as sombras dos galhos
O reflexo do sol, a persiana cinza como em uma fotografia antiga
Tornavam o ar da manhã mais frio
Um turbilhão de pensamentos me distraía

Sonhei com um vestido autista
Era uma grande ocasião!
A menina que se veste de flor, trazia em seu peito a pura expectativa
Seu olhar se iluminou de esperança
O vestido estava no armário escuro do corredor de entrada

Sorri ao pensar em você, mas sem perceber
Já não ouvia mais o que os outros diziam,
Os seus sons eram mais suaves
A melodia que emana de ti sempre me contagia
Prefiro ainda não ouvir

Os sentimentos não escritos

Fiquei tentando escrever como me sinto hoje, então lembrei dessa música e pensei: por que escrever o que já foi cantado?

sexta-feira, 3 de junho de 2011

Medo de chuva

Sou dada ao extremo
Das entranhas da palavra surge a poesia
sentidos, significados, sons e cores
As entranhas da palavra se confundem nos porões
Quando diz uma coisa mergulha no abismo do não sentido
No traçado pautado se apóia
mas não sobrevive nas cordas bambas das entrelinhas
No beijo de menina se perde
Na lembrança do afago devaneia
E cambaleante teme a noite
pois percebe que o fundo de seu porão está vazio
almejando um arco-íris sem chuva

quarta-feira, 1 de junho de 2011

A notícia do 1º dia

Na 1ª manhã do mês seu olhar se iluminou
Recebeu junto ao orvalho a rosa

No 1º dia do mês queria escrever algo sublime como a novidade

Na 1ª tarde do mês seu céu foi tomado de um azul rosado
Será que ela são elas ou eles...

No 1º crepúsculo do mês o final de seu dia era apenas o início
Um suave jazz de ninar soava ao fundo

No 1º dia do mês seu corpo foi preenchido pela mais terna felicidade
E suas madrugadas já não seriam mais tranquilas

terça-feira, 31 de maio de 2011

Apaixonei-me por uma personagem de romances perfeitos
Pensando estar mais próxima do real,submergi na fantasia
Mergulhei no espelho
Incorporei os reflexos e apaguei a sa imagem: minha?
Devorei a força em ti que me mim se perdera
E percebi que borboletas antes de voar precisam a metamorfose

ANEDOTA

Autonomia
Mia alto o gato na madrugada

Poesia
Ia a moça solitária pela noite gelada

Fantasia
A criança rirá da tarde ensolarada
É como se estivesse despindo-me de minhas personagens...
Então é como se meu corpo inteiro precisasse cantar
Como que exorcizasse as várias camadas de poeira
E me aliviasse o peso de carregá-la

Decisões de última hora:

Aprender francês,
fazer teatro,
escrever poesia,
Olhar-me no espelho!!!

terça-feira, 24 de maio de 2011

No interior de meus sótãos
habitam asas que insistem em se amarrar
Acima de meus olhos
acendem luzes de poesia que se ofuscam ao brilhar
Nos rastros dos meus passos
fincam-se as marcas que insisto em abandonar
No horizonte de meus anseios há lugares por onde desejo navegar

Se as asas não se fecharem
As luzes não se apagarem
e o desamparo não me dominar...

quarta-feira, 11 de maio de 2011

Saudades

Existem dias que a saudade é insuportável


Que o mundo me rejeita e não me dá espaço


Que a vida oprime, o tempo sufoca e a vida pulsa


Um latejante pedido de SOCORRO!


Ainda há poesia no mundo?


A esta pergunta a resposta sempre me sorri um belo e incerto: SIM


São como alucinações e ouço cada um dizendo : SIM


E então, respiro fundo e vou buscar La no fundinho do peito aquele ar necessário pra vida


É exatamente neste instante que vocês aparecem e sorriem e dançam e bebem


Numa revoada de leves risadas


Agora consigo seguir vivendo...


Recupero as energias e luto contra esse mundo subversivo à nossa lógica


É tão mais fácil amar, sonhar, flutuar e permitir-se viver


Do que esconder que a felicidade, o sexo, o amar, a amizade existe


Vocês são gotas de oxigênio!


É nesse mundo que me sei, que me sou, que me têm


Neste daí... Não neste aqui...


Aí, pode ser qualquer lugar onde estão vocês?!


Vanessa C Furtado – Van 10/02/2009

A lucidez do fim


Há sempre o momento em que as máscaras caem
Os véus deslizam sobre a face
E o que outrora fora inebriado pelas fumaças da paixão
Agora se faz cristalino e límpido
É nesta hora em que a lucidez nos toma de sobressalto
E espanta-me a certeza de já saber o fim da estória

terça-feira, 10 de maio de 2011

CARTA DE INTENÇÕES


Tive sim a intenção de amar-te, respeitar-te e todos os ar-tes
Tive a intenção de ser-te fiel, e apenas sua
Tive a intenção de estar em ti, contigo
Tive, em suma, a intenção de ser a ti, por ti, para ti
Tive todas as boas intenções dos inícios
Mas tu? Intenciou-me mal
Entendeu que as intenções são como farinha
Grão e grão num saco único e mesmo que o difira
São grãos brancos, alvos e puros... ingênuos?
Se tem uma coisa que minhas 5ª intenções não são
Ingênuas ...