Elas estavam lá, absortas em suas vidas, balançavam no mesmo ritmo, como coreografias há muito ensaiadas e as expressões...
Como eram enlatadas!
Eis que, quase por acaso, uma pequena cena lhes chama a atenção. Os que cochilavam abriam os olhos e não conseguiam mais fecha-los.
No colo de uma estranha ele estava sentado e, seriamente, contava suas histórias de pura sabedoria, no alto da espontaneidade que se tem apenas aos cinco anos.
Eu notava inerte toda aquela mobilização, enquanto a cena se desenrolava ia tecendo este texto.
Aos cinco anos todo colorido é estopim de criatividade e é possível escrever tudo!
Elas o olhavam, um sorriso sorrateiro lhes iluminavam a face, que elas não notariam. Haviam lamparinas de São João por todo vagão e aquela naturalidade fazia rir não apenas a estranha que lhe carregava.
Ouviu-se mais um apito, já era sua estação, então ele se despediu, agradeceu tanto o colo quanto os tácitos aplausos. Através dos vidros da janela, enquanto caminhava ao longo da plataforma, suas mãos acenavam para o seu público, enfim gritou: "Convida eu para empinar pipa?" Sua voz ecoou por todo trem que de um solavanco se pôs em movimento.
Outro tranco! E a pequena platéia apagou-se, o cansaço derramava-se sob suas faces absorvendo-os em seu mundo; ébrios alguns de volta à Orfeu.
Enquanto isso o fim dessa estória se entrelaçava em minhas idéias, queria escrevê-la, mas minhas mãos não acompanhariam o seu ritmo...
Por isso resolvi inventar um gravador de pensamentos!
terça-feira, 28 de junho de 2011
quinta-feira, 16 de junho de 2011
Sob a luz da lua: movimento!
Ela achava que poderia tocar o mundo com as mãos. Imaginava que se pudesse haver perfeição, estava próxima de realizar seus sonhos. Então, tudo estaria tranquilo, não era mais preciso tantas questões!
Só que algo ainda lhe incomodara, suspeitou dos amores partidos, perdidos... "Quem sofre, pois, sem estar amando" (se perguntava), mas no fundo sua alma estava vazia, não havia mais com quem valsar, nem situações a devanear. A concretude do real não preenchia suas ilusões, repudiava.
Saiu de casa e não levou a bolsa, porque se esquecera, também, da roupa. Estava ali, nua frente aos seus anseios, desprotegida diante suas próprias expectativas. Sob efeito da gravidade zero: levitava; embora pudesse sentir o peso de suas escolhas que não a libertavam, mas impulsionavam.
Jamais havia experienciado mover-se sem ser com o outro e, de repente, acordava, mudava a rota e arrastava suas culpas. Pensava caminhar em linha reta, mas se viu às voltas num grande redemoinho, faltava o ar.
Em algum lugar estavam seus iguais, unidos por um laço cor de palha que não a envolvia, ficava ao lado observando-os. O sentimento de não pertencimento era o que lhe assombrava e temeu ao vê-lo. Procurou pessoas e lugares para se reconstituir, porém queria mesmo era pertencer. De tanto desejar, colocava-se do lado de fora, não entendia que era abstrato logo, acorrentava-se.
Agora sabe que pode escolher por si, então opta em mergulhar na imensidão do Universo que se liquefaz para se absorver. Será um pulo suave e sem impulso, lentamente irá submergir. Quando voltar, usará as estrelas que pescou para tecer o caminho pelo qual passará. Sem voltar ao mesmo ponto, simplesmente seguirá. Não é possível ver além da primeira curva, assim ela se intimida, mas não paralisará, pois já sabe onde quer chegar.
Só que algo ainda lhe incomodara, suspeitou dos amores partidos, perdidos... "Quem sofre, pois, sem estar amando" (se perguntava), mas no fundo sua alma estava vazia, não havia mais com quem valsar, nem situações a devanear. A concretude do real não preenchia suas ilusões, repudiava.
Saiu de casa e não levou a bolsa, porque se esquecera, também, da roupa. Estava ali, nua frente aos seus anseios, desprotegida diante suas próprias expectativas. Sob efeito da gravidade zero: levitava; embora pudesse sentir o peso de suas escolhas que não a libertavam, mas impulsionavam.
Jamais havia experienciado mover-se sem ser com o outro e, de repente, acordava, mudava a rota e arrastava suas culpas. Pensava caminhar em linha reta, mas se viu às voltas num grande redemoinho, faltava o ar.
Em algum lugar estavam seus iguais, unidos por um laço cor de palha que não a envolvia, ficava ao lado observando-os. O sentimento de não pertencimento era o que lhe assombrava e temeu ao vê-lo. Procurou pessoas e lugares para se reconstituir, porém queria mesmo era pertencer. De tanto desejar, colocava-se do lado de fora, não entendia que era abstrato logo, acorrentava-se.
Agora sabe que pode escolher por si, então opta em mergulhar na imensidão do Universo que se liquefaz para se absorver. Será um pulo suave e sem impulso, lentamente irá submergir. Quando voltar, usará as estrelas que pescou para tecer o caminho pelo qual passará. Sem voltar ao mesmo ponto, simplesmente seguirá. Não é possível ver além da primeira curva, assim ela se intimida, mas não paralisará, pois já sabe onde quer chegar.
quarta-feira, 15 de junho de 2011
Insônia
No escuro os pensamentos ganham vida
Saem sorrateiros e desconfiados
De repente, preenchem o quarto
Tomam formas, assumem seus papéis
Depois, distorcem tudo!
Fantasiam, encenam, criam e destroem
Até que a luz do sol os devolveu ao baú
E ficam lá tilintando a esperar, esperar...
O melhor remédio contra insônia é o som do despertador!
Saem sorrateiros e desconfiados
De repente, preenchem o quarto
Tomam formas, assumem seus papéis
Depois, distorcem tudo!
Fantasiam, encenam, criam e destroem
Até que a luz do sol os devolveu ao baú
E ficam lá tilintando a esperar, esperar...
O melhor remédio contra insônia é o som do despertador!
quarta-feira, 8 de junho de 2011
Metabolismo
Quais são suas aflições?
Conte para mim os seu medos?
Empreste-me suas amarguras?
Irei mastigá-las, digeri-las
e soprá-las numa poesia...
Conte para mim os seu medos?
Empreste-me suas amarguras?
Irei mastigá-las, digeri-las
e soprá-las numa poesia...
domingo, 5 de junho de 2011
O Som das Cores
Isso me vem de impulso
o peito se projeta e vomito a tinta preta sobre o papel
O contraste me lebra a obra de Beardsley
Por que será, então, que Kandinski não me sai da cabeça?
À luz da lua tudo se torna mais colorido e sincero
Deve ser o som da aquarela, quando o carvão rabisca o canson
e o colorido do arco-íris rasga a cor da chuva
Nota: em tudo há uma música
No vermelho toca um solo de sax, ou será trompete?
No azul são os violinos... e o rosa? Ah! Este é do carnaval
Mas quando colocamos o preto no branco
Ouvi-se o som do piano
o peito se projeta e vomito a tinta preta sobre o papel
O contraste me lebra a obra de Beardsley
Por que será, então, que Kandinski não me sai da cabeça?
À luz da lua tudo se torna mais colorido e sincero
Deve ser o som da aquarela, quando o carvão rabisca o canson
e o colorido do arco-íris rasga a cor da chuva
Nota: em tudo há uma música
No vermelho toca um solo de sax, ou será trompete?
No azul são os violinos... e o rosa? Ah! Este é do carnaval
Mas quando colocamos o preto no branco
Ouvi-se o som do piano
sábado, 4 de junho de 2011
A melodia que há em ti
Estava embriagada de sono
De repente, olhei na janela e vi as sombras dos galhos
O reflexo do sol, a persiana cinza como em uma fotografia antiga
Tornavam o ar da manhã mais frio
Um turbilhão de pensamentos me distraía
Sonhei com um vestido autista
Era uma grande ocasião!
A menina que se veste de flor, trazia em seu peito a pura expectativa
Seu olhar se iluminou de esperança
O vestido estava no armário escuro do corredor de entrada
Sorri ao pensar em você, mas sem perceber
Já não ouvia mais o que os outros diziam,
Os seus sons eram mais suaves
A melodia que emana de ti sempre me contagia
Prefiro ainda não ouvir
Os sentimentos não escritos
Fiquei tentando escrever como me sinto hoje, então lembrei dessa música e pensei: por que escrever o que já foi cantado?
sexta-feira, 3 de junho de 2011
Medo de chuva
Sou dada ao extremo
Das entranhas da palavra surge a poesia
sentidos, significados, sons e cores
As entranhas da palavra se confundem nos porões
Quando diz uma coisa mergulha no abismo do não sentido
No traçado pautado se apóia
mas não sobrevive nas cordas bambas das entrelinhas
No beijo de menina se perde
Na lembrança do afago devaneia
E cambaleante teme a noite
pois percebe que o fundo de seu porão está vazio
almejando um arco-íris sem chuva
Das entranhas da palavra surge a poesia
sentidos, significados, sons e cores
As entranhas da palavra se confundem nos porões
Quando diz uma coisa mergulha no abismo do não sentido
No traçado pautado se apóia
mas não sobrevive nas cordas bambas das entrelinhas
No beijo de menina se perde
Na lembrança do afago devaneia
E cambaleante teme a noite
pois percebe que o fundo de seu porão está vazio
almejando um arco-íris sem chuva
quarta-feira, 1 de junho de 2011
A notícia do 1º dia
Na 1ª manhã do mês seu olhar se iluminou
Recebeu junto ao orvalho a rosa
No 1º dia do mês queria escrever algo sublime como a novidade
Na 1ª tarde do mês seu céu foi tomado de um azul rosado
Será que ela são elas ou eles...
No 1º crepúsculo do mês o final de seu dia era apenas o início
Um suave jazz de ninar soava ao fundo
No 1º dia do mês seu corpo foi preenchido pela mais terna felicidade
E suas madrugadas já não seriam mais tranquilas
Recebeu junto ao orvalho a rosa
No 1º dia do mês queria escrever algo sublime como a novidade
Na 1ª tarde do mês seu céu foi tomado de um azul rosado
Será que ela são elas ou eles...
No 1º crepúsculo do mês o final de seu dia era apenas o início
Um suave jazz de ninar soava ao fundo
No 1º dia do mês seu corpo foi preenchido pela mais terna felicidade
E suas madrugadas já não seriam mais tranquilas
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