terça-feira, 11 de setembro de 2012



Fomos sáfaros

Sai de lá com a alma leve
Mas o peito carregado
As palavras há muito não ditas embargavam-me a garganta
A troca de olhares tensos delineava o campo de batalha
E a noite era de celebração...
Ao menor estouro de um champanhe
A guerra irromperia!
O porte dos convidados deflagrava uma dura privação dos que se fizeram ausentes
Tudo ficou assim, meio sem cor
Insosso... nada mais restara?
Abandone coisas, (Re) Encontre pessoas!
O sinal de sua vinda trouxe um alento
Seu presente, sorrisos e olhares
Aplanaram aquela atmosfera desértica
Foram-se os tempos áridos!!!

terça-feira, 28 de agosto de 2012

As bochechas trêmulas denunciavam
A força que os lábios exerciam contra elas para sorrir
direciona-me o olhar
Os lábios esbranquiçados com a contração das bochechas para cerrá-lo
Mas o coração aos saltos
quase impossível não ouvir
a fisionomia brigava com seu pulsar
vacilante, um café se pôs a bebericar
desculpa perfeita!
não mais nos ameaçará
A angústia se alastra pelo peito
uma ofegante falta de ar
tocar sua dor e puxando...
devagar, pois quanto mais repentina
sua ausência, machuca
e quando ela saiu inteira
fez falta a sua ironia

terça-feira, 29 de maio de 2012


Barulhentos

Como um uivo, mais agudo que de costume

Ela rasgou a membrana do silencio  matinal

Primeiro a ideia se fez em imagem

Foi ganhando formas, escorrendo-lhe pelas mãos

Transbordou num papelAtordoada com sua própria forma

Atirou-se pela janela

A brisa suave carregou-as no colo

Uma a uma as palavras foram-se

Barulhar outros silêncios

quinta-feira, 22 de março de 2012

procura-se um lugar!

Já pensei várias vezes em existir sem lugar...
“morar no sapato”, andarilho, viajante
Mas tem momentos que é preciso um lugar
Onde se possa espalhar suas loucuras, ocupar os espaços
Se reconhecer nos limites, ultrapassá-los
Um lugar pra se refugiar quando o mundo lá fora ta foda!
Um lugar pra acolher minhas manias e as músicas bregas 
Um lugar onde se possa estar sem se sentir um incômodo: mais um cômodo!
Pra receber os amigos, pra acolher as angústias...
Mesmo que imaginário, mas acima de tudo compartilhado. 

sexta-feira, 9 de março de 2012

Cinzas

Eu a vi, estava ali, bem a minha frente
Com o olhar vago, alheia ao que eu dizia, ao que eu sentia
E me vi buscando explicações e justificativas para dizer o que tornara-se incomunicável: o abismo
Ele se impôs de modo tão lascivo e mudo que as palavras dissolveram-se no ar
e tudo isso que não fora dito fizeram um eco em minha alma
Seus sentidos ressoavam a cada pensamento
e o vazio culminou... 

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Desencaixe

Procurar no dicionário os significados da palavra opressão não alivia o peso no peito, não acalma a angustia nem, tampouco, desencaixa – eu: não caixa!
Procurar no dicionário os significados da palavra opressão não interrompe a prensa, não muda a intenção do gesto nem, portanto, deforma – eu: não fôrma!
Procurar no dicionário os significados da palavra opressão não cura a asma, não contém os sentidos nem, por isso, desenquadra – eu: não quadro!
Perdoai não é preciso ser outros, nem, também, seguir qualquer instrução – eu: imperfeito!

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Cócegas

 Gosto de sentir cócegas...
Aquelas safadas, bem apimentadas...
Aquelas danadas feitas por graça
Gosto daquelas que seguem um arrepio
Mas prefiro mesmo às de alma
Como quando um velho amigo te chama pra conversar
Ou quando você resolve sair para dançar
Tem aquelas que só a poesia cativa
E tem umas que ficam formigativas nas costas
Tem um aconchego bom
Como quando a benzedeira fala baixinho orações de vó
Envolta do seu corpo, enqto vc fecha os olhos