quarta-feira, 19 de março de 2014


Hoje, com certa idade...  
Quando tinha 14 para 15 anos me apaixonei por filosofia (culpa da Sofia e seu mundo), mas a imagem daqueles caras barbudos e cabeludos, andando com roupas largadas e chinelos de couro me apavoravam! (quem diria!) Aos 15 tudo era modinha... Mas já tinha um grande objetivo, fazer um curso de Mestrado (em quê? Quem se importa com isso aos 15?). A gente pensa em estudar pro vestibular, profissão que tenha futuro, que dê dinheiro, adequada à nossa personalidade...  Fato é: os mistérios da ciência sempre me encantaram.
Agora no início de mais uma década, posso dizer que minhas auguras dos 15 são a minha realidade: sim escolhi (ainda que a contragosto, de início) uma profissão, em uma universidade federal como desejava, terminei o mestrado e continuo apaixonada por filosofia! Posso dizer que realizei meus sonhos! Ah e isso não foi golpe de sorte, iluminação divina ou destino, foi sim: muita luta!
Hoje acredito menos no amor ideal, que existam pessoas certas ou em metades da laranja... Preocupo-me menos com a quantidade de calorias que estou ingerindo e os dígitos da balança... Sei que quem me quiser, quererá minhas gordurinhas também. E pra quem se criou numa cultura italiana de mesa farta, comer é um prazer!
Ah os prazeres!  Hoje primo mais por eles do que pelas regras a serem seguidas... Não uso mais sapatos de salto, já estou bem crescida! E aprendendo que estar sozinha é ontológico, mas que há pessoas com as quais queremos e nos mantemos caminhando lado a lado: amigos! Os amores são passageiros com os quais a gente embarca numa mesma direção pelo tempo que durar nossa viagem
Perdi um grande amigo (suicidou-se), talvez, aos 15, a forma com que ele teve de se unir ao mundo foi por meio de seu laço. Com isso, aprendi o que é o luto... Muitos outros lutos tive que engolir, alguns ainda me entalam na goela... Cadê aquela dimensão pra onde todos que morrem vão? Hoje, não acredito mais em céu e inferno, deuses, magos ou gnomos... Sei que nossas potencialidades enquanto seres humanos são imensas e até mesmo a gente duvida. Abandonei o moralismo e aprendi a ter ética, ambos nem sempre (pra não dizer nunca) caminham lado a lado.
É Sr Balzac, aos trinta abandona-se o romantismo da vida e, talvez, agora eu possa compreender e vivenciar o amor em sua plenitude.







quarta-feira, 3 de julho de 2013

Sentimentos amputados


Quando não se pode mudar as coisas você se conforma,
Conforto é aquele sentimento de que engoliu algo torto,
Entrou mais ar do que água
As coisas aqui por dentro não se ajeitam, vc não tem posição
E ocupa um não lugar
De repente todos os seus sonhos se realizam e ai
Como voltar a desejar?
Revira o vento, sacode o tempo e nem poesia
Pra que expressar?
E se dá conta que assim está bem adaptado
O corpo se decompõe e a vida se esvai
Ah a liberdade...
Até quando as palavras não têm endereço


Eles te viram do avesso!

quinta-feira, 23 de maio de 2013



O sódio vinha me corroendo lentamente...
primeiro pelas mucosas, depois a carne, enrugou os afetos.
Em tempos de sentimentos áridos
a lágrima risca-me a face: Arde!
Don't touch don't good don't go


Existem dias q a saudade é insuportável
Que o mundo me rejeita e não me dá espaço
Que a vida oprime, o tempo sufoca e vida pulsa
Um latejante pedido de SOCORRO!
Ainda há poesia no mundo?
A esta pergunta a resposta sempre me sorri um belo e incerto: SIM
São como alucinações e ouço cada um dizendo : SIM
E então, respiro fundo e vou buscar La no fundinho do peito aquele ar necessário pra vida
É exatamente neste instante que vocês aparecem e sorriem e dançam e bebem
Numa revoada de leves risadas
Agora consigo seguir vivendo...
Recupero as energias e luto contra esse mundo subversivo à nossa lógica
É tão mais fácil amar, sonhar, flutuar e permitir-se viver
Do que esconder que a felicidade, o sexo, o amar, a amizade existe
Vocês são gotas de oxigênio!
É nesse mundo que me sei, que me sou, que me têm
Neste daí... Não neste aqui...
Aí pode ser qualquer lugar onde estão vocês?!
Vanessa C Furtado – Van 10/02/2009

sexta-feira, 15 de março de 2013



Os sentimentos latentes, reprimidos e sufocados retornaram
Vulcânicos... ardiam!
Por vezes ela se remoia:
Por que não? Por que nunca?
Aquela vez poderia...
Na ânsia de suas respostas as ações 
extrapolaram os protocolos
No encontro os olhares se tocaram, acariciaram
o corpo obedeceu: os lábios e agora os braços
mãos, pernas, pescoços, hálitos...

sexta-feira, 8 de março de 2013


Relembranças
A alma que imagina com todos os sensores do corpo, não é preciso à imagem ditada pelos olhos, apenas os afetos d´alma. Por vezes a excitação se dá pelo calor do vento que desaflora às maças do rosto, que rapidamente amadurecem. Outras ela vem deslizando no ar, um conhecido aroma que remete às memórias mais ternas. O que os olhos passam a ver, enganam aos mais lúcidos, encontro vocês no caminhar de uma transeunte no corredor que outrora ocupávamos. As gargalhadas e angústias compartilhadas permanecem ali, em outros rostos e corpos, mas posso garantir ainda são as mesmas. Nós é que já não somos... A roda-viva que nos atropela despejou alguns em lugares distantes dos olhos, outros ficaram tão próximos que nem mais se olhavam, teve aqueles que nem mais notícias sabem. Mas os que permanecem vivos nos delírios da memória retornam e retomam os bons encontros, não se alteram com o tempo, o mais constrangedor dos silêncios se dissolve em furtivos e acolhedores olhares, que se aconchegam em reconhecidas risadas. A alma padece com deliciosas lembranças, as tentativas de reavive-las sempre se frustram na farsa da repetição. Sobra de tudo, um furtivo sorriso no canto da boca e o pensamento de que a vida não tem que ser repetida, é sempre uma encenação imperfeita, ao vivo e sem cortes. 

terça-feira, 11 de setembro de 2012



Fomos sáfaros

Sai de lá com a alma leve
Mas o peito carregado
As palavras há muito não ditas embargavam-me a garganta
A troca de olhares tensos delineava o campo de batalha
E a noite era de celebração...
Ao menor estouro de um champanhe
A guerra irromperia!
O porte dos convidados deflagrava uma dura privação dos que se fizeram ausentes
Tudo ficou assim, meio sem cor
Insosso... nada mais restara?
Abandone coisas, (Re) Encontre pessoas!
O sinal de sua vinda trouxe um alento
Seu presente, sorrisos e olhares
Aplanaram aquela atmosfera desértica
Foram-se os tempos áridos!!!