quinta-feira, 16 de junho de 2011

Sob a luz da lua: movimento!

Ela achava que poderia tocar o mundo com as mãos. Imaginava que se pudesse haver perfeição, estava próxima de realizar seus sonhos. Então, tudo estaria tranquilo, não era mais preciso tantas questões!
Só que algo ainda lhe incomodara, suspeitou dos amores partidos, perdidos... "Quem sofre, pois, sem estar amando" (se perguntava), mas no fundo sua alma estava vazia, não havia mais com quem valsar, nem situações a devanear. A concretude do real não preenchia suas ilusões, repudiava.
Saiu de casa e não levou a bolsa, porque se esquecera, também, da roupa. Estava ali, nua frente aos seus anseios, desprotegida diante suas próprias expectativas. Sob efeito da gravidade zero: levitava; embora pudesse sentir o peso de suas escolhas que não a libertavam, mas impulsionavam.
Jamais havia experienciado mover-se sem ser com o outro e, de repente, acordava, mudava a rota e arrastava suas culpas. Pensava caminhar em linha reta, mas se viu às voltas num grande redemoinho, faltava o ar.
Em algum lugar estavam seus iguais, unidos por um laço cor de palha que não a envolvia, ficava ao lado observando-os. O sentimento de não pertencimento era o que lhe assombrava e temeu ao vê-lo. Procurou pessoas e lugares para se reconstituir, porém queria mesmo era pertencer. De tanto desejar, colocava-se do lado de fora, não entendia que era abstrato logo, acorrentava-se.
Agora sabe que pode escolher por si, então opta em mergulhar na imensidão do Universo que se liquefaz para se absorver. Será um pulo suave e sem impulso, lentamente irá submergir. Quando voltar, usará as estrelas que pescou para tecer o caminho pelo qual passará. Sem voltar ao mesmo ponto, simplesmente seguirá. Não é possível ver além da primeira curva, assim ela se intimida, mas não paralisará, pois já sabe onde quer chegar.

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