segunda-feira, 18 de julho de 2011

Pneuma

Nem a melancólica canção...
Nem os soluços sôfregos da sala ao lado
Muito menos aquela paisagem de cerrado, eram capazes de tê-la revelado. Fingindo ter o coração gelado e os sentimentos de estômago embrulhado. O peito estava pra lá de carregado, já havia transbordado!


Aparentava imunidade aos efeitos da gravidade, nada lhe pesava. Paulatinamente tomava ciência de seu ser. O sopro se infiltrava e o que a espantava era esta lucidez: quase delirava. A vida suspensa a esperava, nem lá nem cá, ainda oscilava!


Fragmentos de repetidas clausuras compunham-na forma versátil de densas gravuras. Ao olhar as cicatrizes, divertia-se com aquelas travessuras. O amor lhe eram atos de bravura!


Não haveria covardia naquela intensidade em que vivia, às hipérboles das emoções traduzia em poesia. E o que acalentaria a alma senão as paixões, até as mais vazias? 
Sob pena de uma incurável pneumonia!

domingo, 10 de julho de 2011

Ouço vozes


Olha lá, ali... elas estão por todas as partes
Algumas altas outras aos berro
ouço os sussurros de meias palavras
Elas não se cansam! 


O murmurinho... tapam a boca com a mão 
e me olham
Quantos olhos a minha volta
O que vocês querem de mim?
(Um grito abafado)


Parem de falar, que não aguento mais ouvi-las
Meus ouvidos transbordam chiados 
Silêncio!


Triiiim o telefone tudo de novo
E falam e riem e choram
Ah! Junto com elas a outra que não cessa
Essa cota não acaba nunca?
Calem a boca!


Os sentimentos eclodem
a respiração ofegante e exausta
Socorro
Cecília, Adalgisa, Gilka
Elas não ocultam


Estão esvaindo-se por todo meu corpo
escorrem pelo ralo
Será que agora calo?
Aprisionarei todas no papel
Minhas vozes internas que nunca se falam

sábado, 9 de julho de 2011

Enquanto se distraía...

E das mulheres que passaram por sua vida, absorveu a poesia
Dos sonhos pouco entendia, pois os vivia
No ballet de sua coreografia ela se envolvia




Enquanto se distraía, seu mundo interior eclodiria
Envolto em toda aquela magia, criava uma teoria
Que sua poesia era tudo o que sabia
E o que mais lhe bastaria? Nem os que recitaria...
A dor era pura alegria... Melancolia
Porque em sua fantasia, o amor inventaria
Fosse Maria, fosse Joaquina isto não lhe importaria
Só o que ouvia era o que sentia
A angústia pulsaria, em qualquer outro dia
pois a vida acontecia e você? Ah você... dormia!

domingo, 3 de julho de 2011

Nada Sobre Coisa Nenhuma

O nada que tem cor de coisa nenhuma é transparente
O nada que não tem cor de nada pode ser branco
O nada tem cor de espelho, mas não é o que ele reflete
O nada não existe porque todo espaço é ocupado


Porém, do nada podem brotar várias coisas, até que vire história de Pescador

sábado, 2 de julho de 2011

BARATAS TONTAS

Antes tínhamos um ao outro
nada se interpunha
nem o mais concreto cimento
Nossa relação era leve e elástica
mas os fios sustentaram bem mais do que poderiam
e o elástico se partiu
Os pesados obstáculos nos individuaram
agora nosso olhos já não nos alcançam,
as ilusões nos embaçam a visão
Suavemente a resistência vai desistindo
pois do resto, os objetos de nossos caminhos
Tornaram-se o caminho de nossos objetivos
quais eram estes mesmo?