Relembranças
A alma que imagina com
todos os sensores do corpo, não é preciso à imagem ditada pelos olhos, apenas
os afetos d´alma. Por vezes a excitação se dá pelo calor do vento que desaflora
às maças do rosto, que rapidamente amadurecem. Outras ela vem deslizando no ar,
um conhecido aroma que remete às memórias mais ternas. O que os olhos passam a
ver, enganam aos mais lúcidos, encontro vocês no caminhar de uma transeunte no
corredor que outrora ocupávamos. As gargalhadas e angústias compartilhadas
permanecem ali, em outros rostos e corpos, mas posso garantir ainda são as
mesmas. Nós é que já não somos... A roda-viva que nos atropela despejou alguns
em lugares distantes dos olhos, outros ficaram tão próximos que nem mais se
olhavam, teve aqueles que nem mais notícias sabem. Mas os que permanecem vivos
nos delírios da memória retornam e retomam os bons encontros, não se alteram
com o tempo, o mais constrangedor dos silêncios se dissolve em furtivos e
acolhedores olhares, que se aconchegam em reconhecidas risadas. A alma padece
com deliciosas lembranças, as tentativas de reavive-las sempre se frustram na
farsa da repetição. Sobra de tudo, um furtivo sorriso no canto da boca e o
pensamento de que a vida não tem que ser repetida, é sempre uma encenação
imperfeita, ao vivo e sem cortes.
Realamente... A vida não tem que ser repetida, então vambora na dança do movimento linear e incessante! ;)
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